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Financiamento ou consórcio para realizar o sonho da casa própria?

 

Mariana e Fernando estão decididos a comprar a casa dos sonhos. Atualmente, moram em um imóvel alugado, e a cada dia cresce a sensação de que pagam por uma coisa que nunca será deles.

Fernando não se incomoda muito com isso, valoriza a flexibilidade de morar onde quiser, em um imóvel sempre novo e localizado na mesma região do trabalho, e, particularmente, aprecia o fato de não assumir os riscos da decadência urbana e da necessidade constante de manutenção do imóvel, que permanecem com o proprietário.

Mariana não discorda dos argumentos de Fernando, mas tem o objetivo claro de morar no que é seu para se sentir mais realizada.

Argumenta também que a compra da casa própria será um exercício de disciplina, já que, perante o compromisso assumido, deixarão de gastar com coisas supérfluas.

Um dos fortes argumentos de Mariana, que não pode ser contestado por Fernando, é que poderão acessar o dinheiro que ambos têm no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

A decisão de comprar o imóvel foi tomada, mas o casal não tem dinheiro para fazer isso agora. Fernando ficou responsável por pesquisar a opção de financiamento imobiliário, enquanto Mariana foi em busca de informações sobre consórcio.

FINANCIAMENTO

Fernando descobriu que se trata de uma operação de empréstimo tradicional na qual uma instituição financeira aprova uma linha de crédito com a destinação específica de aquisição de um imóvel. Foi aconselhado a financiar um montante cuja prestação não comprometa mais do que 30% da renda mensal do casal.

O imóvel é cedido em garantia do financiamento, mas esse fato não impede a venda ou a transferência do imóvel para outra pessoa. A taxa de juros varia de uma instituição para outra e oscila entre 8% ao ano e 10% ao ano.

O dinheiro acumulado no FGTS pode ser utilizado para amortizar o saldo devedor do financiamento desde que o valor do imóvel, segundo avaliação da instituição financeira, não seja superior a R$ 750 mil (limite válido para as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal).

A estratégia é comprar um imóvel pronto, assim podem parar de pagar o aluguel e assumem o compromisso da diferença entre o valor da prestação do financiamento e o do aluguel. Fernando está convencido de que podem fazer isso com a renda conjunta do casal, o dinheiro do FGTS, mais uma boa dose de controle nos gastos.

CONSÓRCIO

Mariana descobriu que consórcio é um sistema de autofinanciamento para compra de bens em que pessoas se associam e pagam o valor do imóvel dividido em prestações mensais.

O total arrecadado pela administradora do consórcio é utilizado para comprar os imóveis.

Foi informada de que só há duas maneiras de ser contemplado: por sorteio ou lance. E as contemplações dependem da existência de recursos no grupo.

Mariana descobriu que, quando se faz a opção por um consórcio, não há pagamento de juros porque não se trata de um financiamento propriamente dito. O custo dos participantes é representado pela taxa de administração, que remunera a prestação de serviço de gestão e administração do grupo.

A taxa de administração, ao redor de 20%, é calculada sobre o valor do imóvel e dividida pelo prazo de duração do grupo. Dessa forma, a cobrança de 20% em um grupo de dez anos representa um custo de 2% ao ano.

Assim como no financiamento imobiliário, o FGTS pode ser utilizado para apresentar o lance, comprar ou complementar a carta de crédito, ou ainda para pagar prestações ou quitar o saldo devedor em consórcios imobiliários.

O QUE É MELHOR?

São alternativas muito diferentes. No consórcio, o valor da prestação é menor, mas você só se livra do aluguel quando for sorteado. No financiamento, a prestação do imóvel é maior, mas a despesa do aluguel é cortada imediatamente.

Os custos do consórcio são inferiores aos do financiamento. Quem paga a conta? O participante azarado do grupo que é sorteado somente no final. Ele, na prática, "emprestou" dinheiro para os felizardos que foram sorteados no início do grupo, sem receber juro nenhum.

E os riscos? Também diferem. No financiamento, o banco corre o risco de crédito de você não conseguir pagar a dívida. No consórcio, até receber a carta de crédito, é você quem corre o risco.

E, embora o consórcio seja uma atividade monitorada pelo Banco Central, não há garantias. Por isso, é muito importante pesquisar com rigor antes de escolher a administradora do consórcio, se for essa a sua opção.

Fernando e Mariana ainda não decidiram o que vão fazer, mas o importante é que estão planejando muito antes de dar esse passo tão importante na vida deles.

 

 

 
Fonte: Folha de S. Paulo

 


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